Texto por Colaborador: A. Rother 18/09/2026 - 05:00

O Borussia Dortmund teve um início de temporada positivo, e agora o time de Niko Kovac enfrenta um verdadeiro teste de força, tanto na defesa quanto na criação ofensiva, diante do VfB Stuttgart. Na quinta-feira pela manhã, enquanto o técnico trabalhava normalmente no campo de treinamento, o novo técnico da seleção alemã, Jürgen Klopp, concedia uma extensa coletiva de 69 minutos para apresentar sua ampla convocação e traçar os rumos do futebol alemão. Mesmo sem acompanhar tudo, Kovac encontrou tempo para captar a essência da fala do colega e citá-la em sua própria entrevista, bem mais curta.

"Não vi tudo, mas peguei uma frase: trata-se de intensidade, trata-se de defender, trata-se de todos juntos", disse o treinador do Borussia Dortmund, usando as palavras do colega para reforçar sua própria filosofia. Segundo Kovac, Klopp "já conquistou bastante coisa na vida", mas também sabe "que é preciso defender bem". Mais do que isso, esse já é há tempos o mantra do croata: "Precisamos trabalhar intensamente. Porque quando você trabalha intensamente e junta isso com qualidade individual no time, é difícil nos vencer."

Ou, em outras palavras: "Se você tem qualidade, mas não consegue colocá-la em prática porque falta capacidade física, você vai sofrer, não vai aguentar a temporada inteira."Para Kovac, essa combinação entre base física e soluções de jogo é o ideal, e ele vai além: "Esse é o futebol moderno, é para lá que o futebol está caminhando. E quem não consegue fazer isso tem problemas."

A boa notícia do treinador em relação ao Dortmund é clara: "Nós conseguimos fazer isso, graças a Deus. Mas certamente também podemos melhorar nesse aspecto." Atualmente, a equipe tem a sexta maior quilometragem percorrida da liga, o terceiro maior número de sprints e o maior volume de corridas intensas, números que reforçam as qualidades físicas do time. Ninguém em Dortmund duvida da capacidade física do elenco, e o trabalho de Kovac ao longo do último ano e meio elevou muito o nível da equipe, o que se reflete não só nos dados de jogo, mas também na queda expressiva no número de lesões musculares.

No aspecto do jogo com a bola, porém, sempre existiram vozes críticas, inclusive em relação às primeiras partidas da nova temporada. "Podemos fazer uma coisa ou outra melhor na posse de bola", admite Kovac, referindo-se à necessidade de "jogar de forma mais limpa e cometer menos erros". Ainda assim, ele pondera: "Estamos no início da temporada, certamente ainda vamos precisar de tempo para isso." Afinal, o elenco foi bastante reforçado no quesito qualidade técnica durante o verão europeu, com as chegadas de Konstantinos Karetsas, Joey Veerman, Ethan Nwaneri e também Giannis Konstantelias, este último já lesionado.

O grande desafio agora é encaixar esses reforços de forma que aumentem a criatividade sem comprometer a solidez defensiva. Contra o Hoffenheim ou o Paderborn, o Dortmund não conseguiu fazer isso em todos os momentos, e o time seguiu sendo mais perigoso nas transições rápidas do que na construção contra um adversário posicionado atrás. Ainda assim, o técnico avalia de forma positiva o retrospecto recente: "Nos cinco jogos, vi muitas coisas boas, isso prevaleceu."

De qualquer forma, o desejo de Kovac é que o time seja mais direto com a bola nos pés. "Não queremos morrer de forma bonita, e sim avançar", afirma o treinador: "Ter a bola no último terço ou no terço central é bonito e melhora as estatísticas, mas não é isso que eu quero. Eu quero criar chances." Essa mesma filosofia deve valer para o confronto deste sábado (18h30, horário local) contra o VfB Stuttgart, o teste de fogo antes da longa pausa para as seleções.

Também ali será necessário manter o equilíbrio. "Claro, contra esse tipo de equipe você precisa defender bem, cada um precisa participar. Você tem que trabalhar como uma unidade; se um, dois, três jogadores se desligam, fica difícil, praticamente impossível", avalia Kovac, que também comentou a falta de controle de jogo em alguns momentos da equipe nesta temporada: "E quando temos a bola, devemos tentar mantê-la entre nós. Mas com a intenção de avançar."

O treinador sabe que, diante do adversário, "uma equipe de ponta muito bem equilibrada da Bundesliga, que sabe fazer muita coisa com a bola e tem muitos bons jogadores individuais", vai haver fases em que o rival terá a posse. Foi o que aconteceu no último confronto entre as equipes, em Stuttgart, pela 28ª rodada da temporada passada, quando o Dortmund só conseguiu vencer por 2 a 0 com dois gols nos acréscimos, depois de produzir pouco ofensivamente. "Mas também não permitimos nada", relembra Kovac: "Quando o adversário tem a bola, o decisivo é que ele não consiga criar nada." Jürgen Klopp certamente prestou atenção.

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