Texto por Colaborador: A. Rother 05/09/2026 - 05:00

O Borussia Dortmund vive um momento de preocupação após a confirmação, no último domingo (30 de agosto), de que o grego Giannis Konstantelias sofreu uma ruptura do ligamento cruzado do joelho esquerdo logo na estreia do time na Bundesliga. O clube já confirmou que o novo reforço deve ficar afastado dos gramados por vários meses, uma notícia que deixou o ambiente no BVB bastante abalado, já que esse tipo de lesão ainda é visto como um dos mais temidos no futebol profissional — não apenas pelo tempo de afastamento, mas por tudo o que envolve o processo de recuperação. Para explicar melhor o que está por trás do quadro de Konstantelias, o médico esportivo Prof. Dr. Christian Fink conversou com o portal alemão DER WESTEN sobre os principais aspectos da lesão e da reabilitação.

Segundo o especialista austríaco, o motivo de essa lesão ser tão delicada para jogadores de futebol está diretamente ligado às exigências do próprio esporte. Ele explicou que o futebol é uma modalidade que, devido às constantes mudanças de direção e às paradas repentinas, coloca uma exigência extrema sobre a estabilidade do joelho — estabilidade que se perde justamente quando há uma ruptura do ligamento cruzado.

No que diz respeito ao tratamento, Fink apontou que existem dois caminhos possíveis: a cirurgia ou uma abordagem conservadora. Segundo ele, existem casos de ligamentos cruzados que rompem apenas parcialmente e mantêm um certo potencial de cicatrização, e esses casos podem ser tratados de forma conservadora. Mas, de acordo com o médico, quando o ligamento está totalmente rompido, no futebol a cirurgia praticamente não tem alternativa, já que é esse procedimento que devolve ao joelho a estabilidade necessária para suportar as exigências do esporte.

Fink também destacou que o tempo de afastamento em casos de ruptura do ligamento cruzado depende de dois fatores principais. O primeiro é a existência ou não de lesões associadas: quando o menisco e a cartilagem também são afetados, o pós-operatório exige várias semanas adicionais sem qualquer tipo de carga sobre o joelho. Já quando apenas o ligamento cruzado é comprometido, a retomada da carga pode começar mais cedo — e, até o momento, o comunicado do BVB sobre o caso de Konstantelias não mencionou nenhum dano adicional no joelho do jogador.

O segundo fator apontado pelo médico é o tempo de cicatrização do enxerto usado na cirurgia. Ele explicou que, quando se implanta um substituto do ligamento cruzado — o que é chamado de plastia do ligamento cruzado —, é necessário um período até que essa estrutura cicatrize por completo, e que, durante essa fase, as propriedades mecânicas do joelho diminuem, o que exige tempo até a recuperação total. De acordo com Fink, o prazo mínimo esperado para atletas de futebol com esse tipo de lesão gira em torno de seis meses, mas a tendência real costuma ficar entre nove e doze meses de afastamento.

O médico ainda fez questão de criticar os casos de recuperação relâmpago já vistos na Bundesliga, com retornos em apenas três ou quatro meses. Para ele, falando sem rodeios, isso não tem relação nenhuma com uma cura de verdade, e quem faz isso está assumindo conscientemente um risco maior de sofrer uma nova lesão. Fink reforçou que mesmo uma lesão isolada do ligamento cruzado, quando operada, exige esse tempo de recuperação, e que um retorno em menos de seis meses não seria razoável.

Apesar do longo período de recuperação pela frente, o especialista deixou um recado de otimismo. Segundo ele, quando a cirurgia dá certo e a reabilitação é conduzida de forma adequada, isso não chega a afetar o estilo de jogo do atleta no futuro. Fink foi além e afirmou que, às vezes, acontece justamente o contrário: quando a reabilitação corre bem e o jogador tem realmente tempo para treinar de forma consistente, ele pode voltar ainda mais forte do que estava antes da lesão — como aconteceu, por exemplo, com Florian Wirtz, do Liverpool.

É justamente nesse exemplo que Konstantelias pode se apoiar para manter a esperança de retornar em alto nível no próximo ano, mesmo diante de um período tão desafiador de recuperação.

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