Texto por Colaborador: A. Rother 22/04/2026 - 01:00

A proposta do conselheiro do Borussia Dortmund, Matthias Sammer, para acabar completamente com a figura dos agentes de jogadores segue rendendo reações no meio do futebol. Desta vez, quem veio a público discordar foi Christian Nerlinger, ex-jogador da Bundesliga e atual empresário no ramo.

Em entrevista ao kicker, Nerlinger, de 53 anos, afirmou que a proposta de Sammer foi longe demais: "Querer acabar completamente com uma profissão já é algo extremo. O Matthias, por quem tenho grande respeito pessoal e profissional, adotou aqui um pouco a retórica de Trump, e isso, na minha opinião, não é uma ideia muito boa."

Nerlinger tem uma relação peculiar com Sammer: trabalhou como diretor esportivo do Bayern de Munique entre 2009 e 2012, cargo que foi posteriormente assumido pelo próprio Sammer. Hoje, à frente da empresa CN Sports, atua justamente como agente.

Ele contou que a declaração de Sammer o fez "dar uma leve risada", mas foi cuidadoso ao diferenciar as críticas mais amplas que vêm de figuras como Uli Hoeneß e Karl-Heinz Rummenigge. "Com a crítica de Hoeneß e Rummenigge sobre os desvios no mercado de agentes, consigo conviver bem. Mas é preciso, claro, fazer uma distinção bastante clara", pontuou.

Nerlinger reconheceu que parte das críticas tem fundamento: "Quando Hoeneß e Rummenigge falam sobre distorções no mercado de agentes, em parte eles têm razão. O ponto crítico é quando os jogadores abdicam completamente de sua responsabilidade e poder de decisão."

Mas no geral, ele defende que ter um bom agente ao lado é essencial para qualquer jogador — e ilustrou com uma situação vivida na própria carreira. Em 1998, às vésperas de uma negociação com a Juventus de Turim, Nerlinger se viu em uma conversa com o então dirigente Luciano Moggi acompanhado apenas de seu pai, sem um profissional do setor. "A conversa foi completamente absurda", lembrou.

"Foi um momento em que percebi que um jogador precisa necessariamente de alguém ao seu lado. Alguém que ajude, apoie e seja extremamente profissional. Não alguém que tome decisões por cima da sua cabeça", concluiu.

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