Texto por Colaborador: A. Rother 04/04/2026 - 04:00

O Borussia Dortmund não demorou para agir. Um dia depois da surpreendente saída de Sebastian Kehl — uma das figuras mais emblemáticas do clube — o vice-líder da Bundesliga já tinha nome, contrato e plano: Nils-Ole Book, 40 anos, assinou vínculo com o BVB até o verão de 2029 e assume a missão de reconstruir o elenco dortmundense.

A trajetória de Book é singular. Natural de Beckum, na Vestfália — mesma região do Dortmund —, ele construiu sua carreira em um cenário completamente diferente: a SV Elversberg, clube modesto do Sarre. Lá, começou como olheiro e foi subindo de posto até chegar ao cargo de diretor esportivo executivo. Sob sua gestão, o clube deu um salto expressivo e conquistou lugar entre os times de destaque da Segunda Bundesliga. Book havia renovado seu contrato com a Elversberg apenas em outubro, mas o chamado do clube que o apaixona desde criança falou mais alto. O Dortmund pagou uma taxa de transferência para liberá-lo imediatamente. Book declarou: "O Borussia Dortmund é um clube especial para mim, com uma ligação emocional desde a infância. Não é só por isso que quero agradecer à SV Elversberg, em especial ao Dominik Holzer, por permitir que eu comece imediatamente meu trabalho em Dortmund."

A diretoria recebeu Book com elogios. O presidente Carsten Cramer destacou que, apesar da juventude, o novo executivo já carrega uma bagagem considerável: "Embora ainda seja jovem, já possui muita experiência no setor." O diretor esportivo Lars Ricken também não escondeu o entusiasmo, lembrando que acompanha o trabalho de Book há anos — e que contratações como Nick Woltemade e Paul Wanner são provas da qualidade do seu olho clínico: "Acompanho sua excelente atuação na Elversberg há muito tempo, primeiro como diretor esportivo e depois como diretor executivo, e estou absolutamente convicto de que o Ole se encaixa muito bem aqui, tanto no aspecto profissional quanto no humano."

Cramer foi além e deixou claro o que espera do novo nome. O BVB acumulou decepções na temporada: foi eliminado precocemente tanto na Copa da Alemanha, pelo Leverkusen, quanto na Liga dos Campeões, pela Atalanta Bergamo — e as receitas que estavam no planejamento simplesmente não vieram. O presidente quer ver o clube novamente ameaçando o Bayern de Munique na ponta da tabela: "Nas conversas, percebemos rapidamente que o Ole tem uma sede de sucesso enorme, grandes ambições e um espírito de equipe extraordinário. Isso se alinha com nossos valores e com o que queremos representar no Borussia Dortmund. Agora, o objetivo é construir o futuro do nosso clube com coragem e sucesso."

A herança de Kehl não é simples. O trabalho do antecessor passou a ser cada vez mais questionado — sobretudo pela dificuldade em identificar talentos e pelos investimentos em nomes considerados aquém do padrão do clube. Book chega com a tarefa de virar essa página.

E o trabalho já começou. Segundo a Sport Bild, o BVB deve contratar ao menos três jogadores na próxima janela de verão. O perfil traçado por Book é claro: dois atletas prontos para contribuir de imediato e ao menos uma promessa com potencial de se tornar referência. Uma segunda aposta jovem também não está descartada.

O clube já garantiu duas chegadas para a próxima temporada. Justin Lerma, equatoriano de 17 anos, reforçará o setor ofensivo, enquanto o brasileiro Kaua Prates, também de 17 anos, chega para disputar a posição de lateral-esquerdo — com contrato assinado até 2031.

O grande entrave, porém, é financeiro. O BVB dispõe de apenas 25 milhões de euros para investimentos no mercado — um valor bastante limitado para as ambições do clube. Nomes como Jadon Sancho, Fisnik Asllani e Nicolò Tresoldi chegaram a circular como possíveis alvos, mas os valores envolvidos superam o que o orçamento permite. Por isso, segundo o Ruhr Nachrichten, as prioridades são mais cirúrgicas: um volante defensivo e um zagueiro.

Falando em zagueiro, a renovação de Nico Schlotterbeck é tratada como prioridade máxima internamente — o defensor é visto como peça indispensável para o projeto. Já Niklas Süle e Julian Brandt devem deixar o clube. Book tem muito a resolver, e pouco tempo para isso. O salto do interior para a elite não é só geográfico — agora, é também uma questão de provar que foi a escolha certa.

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