Texto por Colaborador: A. Rother 04/04/2026 - 02:00

A novela envolvendo o futuro de Nico Schlotterbeck no Borussia Dortmund segue sem desfecho. Em vez de uma renovação iminente, o que se desenha são novas rodadas de negociação — e o comentarista Marcel Reif não escondeu sua insatisfação com o cenário no programa "Reif ist Live", da Bild.

"Ao longo da vida, certamente negociei uma coisa ou outra. Mas nunca me ocorreu a ideia de renegociar o que já havia sido acertado", disparou Reif ao introduzir o tema.

O estopim da polêmica foi um relatório do canal Sky dando conta de que uma renovação entre Schlotterbeck e o BVB estaria prestes a ser anunciada. O próprio zagueiro, à margem do amistoso da seleção alemã contra Gana (2 a 1), desmentiu rapidamente a informação, afirmando que as partes estavam longe de um acordo. Segundo ele, a negociação havia sido conduzida com Sebastian Kehl — que já não está mais no clube — e isso, nas suas palavras, complicou o andamento das conversas. Uma justificativa que Reif simplesmente não aceitou.

"Ei, isso não é sério, ou é?", questionou o comentarista suíço, em tom de incredulidade. E foi além: "Se é isso mesmo, e parece que é, ele está se prejudicando bastante nos fatores subjetivos — e sabemos como esses fatores são muito, muito importantes na arquibancada sul de Dortmund. Ele está destruindo muita coisa ali."

Não à toa, parte da torcida do BVB reagiu negativamente às declarações do zagueiro, com discussões acaloradas inclusive no aplicativo Buzz09.

Segundo relatos, Schlotterbeck quer renegociar tanto o salário quanto a cláusula de rescisão — e, no caso desta última, gostaria que ela passasse a vigorar já após a Copa do Mundo, e não apenas em 2027, como teria sido inicialmente acordado.

Reif foi categórico sobre o assunto: "Em algum momento, é preciso dizer: o que foi negociado, foi negociado. Renegociar... eu detesto isso. Sempre disse aos meus filhos: 'Cuidado, chegamos a um número, mas isso vale com um aperto de mão.' Quando isso deixa de valer, você estraga muito da relação."

O diretor esportivo Lars Ricken adotou um tom bem diferente. Ele classificou as declarações de Schlotterbeck como "compreensíveis" e afirmou ter ficado surpreso, assim como o próprio jogador, com a notícia sobre uma suposta iminência da renovação. Reif, por sua vez, não poupou o dirigente: "Hã? Que mês é esse? E se ele for embora, o que vocês vão fazer? Vão fabricar um zagueiro do nada?"

Ainda mais ácido, o comentarista questionou a sinceridade de Ricken: "Cara, você realmente acredita no que está dizendo agora? Não, ele segue essa linha para ao menos manter a vaca no gelo antes que ela caia." Para Reif, ao vincular sua decisão à saída de Kehl, Schlotterbeck não apenas complicou as negociações, como cometeu "mais do que uma falta de respeito" — inclusive com o próprio Ricken. "Se Kehl fosse o único a tomar decisões no Borussia Dortmund, ele seria o presidente do clube", ironizou. "Que o Schlotterbeck use a mudança no cargo de diretor esportivo como desculpa para ainda não ter tomado uma decisão — isso eu não consigo entender."

A relação entre as partes parece, ao menos para Reif, já estar desgastada. Com ironia contida, ele encerrou: "Bom, o que isso tem a ver comigo? Em Dortmund, vão ter que decidir se essa ainda é uma base sólida para seguir em frente."

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